sexta-feira, 24 de julho de 2009

"Se alguém quer matar-me de amor que me mate no Estácio, bem no compasso, bem junto ao passo do passista da escola de samba do Largo do Estácio.

Fico manso, amanso a dor. Holliday, um dia de paz.

O Estácio acalma os sentidos dos erros que eu faço. Trago não traço, faço não caço.

Solto o ódio, mato o amor. Holliday, eu já não penso mais."



se alguém quer matar-me de amor que me mate no Estácio, bem no compasso... eu já nem penso mais.

terça-feira, 14 de julho de 2009



momento de tremor de alma
é a vibração que completa a nota que escapa
e voa
pára não sei onde
não sei se pára, se segue, se volta...








o tempo parou e abriu um buraco enorme entre o céu e a terra
o abismo do presente e o futuro
as rachaduras do passado trincando o chão sob os meus pés

e o sonho acaba.
sonho de futuro,
sonho de passado que continua vivo na memória incontável dos anos.

instante...o momento em que o tempo parou
e o instante é esse abismo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Tudo o que é comum

Tudo o que é comum cabe dentro do que eu faço todos os dias.
Tudo que é comum cabe dentro de uma caixa de sapato: são cartas! Confidências que faço, que escrevo, que recebo, que volta e meia volto a ler. Correspondências de épocas e etapas diferentes que passamos. Laços se fortalecendo, outros laços diferentes se formando e uma mania mania mania de escrever, de olhar a caixa de correio e ver um envelope reluzente, dourado que brilha muito, piscando na minha frente.
Tudo o que é comum cabe dentro do meu silêncio telepático que funciona somente com algumas, pouquíssimas, pessoas. Essas escolhidas a dedo, ou por telepatia mesmo. Na verdade, isso acontece tão certo e sempre o tempo todo, desde que nos conhecemos a alguns anos, apenas com uma pessoa. É verdade mesmo, acontece com outras mas não tão intenso que realmente as palavras são tão mínimas, tão desnecessárias. Será mesmo silêncio telepático? Ou é por que falamos “sempre sozinhos”? Então, nós dois sempre falamos sozinhos e.. talvez nos encontramos quando falamos sozinhos.
Não, não. Não parece isso. Isso aconteceu quando nós tentamos conversar um com outro e nos explicar. Mas chegando lá não houve conversa, era só chegar e não havia mais o que ser dito porque parecia muito pequeno, quase sumia. Mas era pra ser uma conversa. Palavras tinham que ter sido pronunciadas, ditas, proferidas para fazer sentido, para esclarecer, explicar, explanar. Mas esclarecer o que se para nós dois não era necessário nenhum esclarecimento? Foi só uma tentativa de falar até fazer sentido, mas não deu. Cansamos e é só isso. Fomos embora.
Não precisam tantas palavras. Palavras tocam corpos. É bobagem pensar ou dizer que não. E o silêncio toca mais. É o olhar, está dito, preso silencioso no olhar, esse toca mais, mais.
Tudo o que é comum cabe dentro do meu olhar. Sempre coube, está lá. Olhar que esmaga as palavras, e olha que as palavras já são bem grandes! É ele que deixa o silêncio – telepático silêncio – olhar.
Tudo me é comum e cabe dentro do meu olhar. Tudo o que meu olho vê não é tudo o que quero olhar, mas tudo o que olho é tudo o que carrego e que me é comum. O que quero carregar e olhar sempre, tudo o que me é comum. Tudo cabe dentro do meu olhar.
É tão comum eu carregar tanta saudade...

sábado, 20 de junho de 2009

como se água viesse pra inundar, o sol pra esquentar, o céu pra acalmar, o mar arrebatar diferentemente...
abrindo caminho de volta pra tudo o que já foi, tudo o que é e tudo o que ainda será!
talvez seja mesmo apenas o fato de "ser". apenas a intenção do querer que transponha, e transpõe, tudo o que é mal e tudo o que dói.
ou seja simplesmente a vontade transformando-se em certeza de que a vida - é essa mesmo -, a vida é simples e muito boa.

qual é o sabor de amar? o que se sabe sobre ser amado ou sentir-se amado? o que se entende por querer bem? o que significa bem-estar?
quem importa, no final e no começo?

quem importava no começo e agora importa no final.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Endereço, meu

Era uma casa muito engraçada
Não tinha teto,
não tinha nada.

Ninguém podia dormir na rede
porque na casa não havia parede.

Ninguém podia fazer pipi
porque penico não tinha ali.

Mas era feita com muito esmero,
na rua dos bobos,
número "0".




Respondendo à pergunta d'un ami important, ai está o endereço daqui, de onde estou e sou. De onde vive a poesia e o sonho!
Meu lugar desde desde desde os primórdios do tempo. Desde antes, desde nem saber ao certo que lugar era esse.
Agora sei, é o meu.
Mas não é só meu, ele é de mais algumas pessoas também.
Só não sei quem são, mas tenho certeza que elas existem!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Aqui vivem a poesia e o sonho.

sábado, 13 de junho de 2009

Foi a flor

Tinha um barco estagnado
Com um letreiro que dizia:
"Aqui morreram e foram enterrados
A poesia e o sonho
De quem veio neste mundo pra viver resignado

Aqui morreram e tudo o que sobrou
Impenitente e solteira
Foi a Flor, foi a Flor, foi a Flor"

Bia Krieger

domingo, 7 de junho de 2009

Inversão

É das tensões internas que surgem os elementos de um sistema autônomo, capaz de gerar o seu próprio impulso de crescimento, concluindo-se, então, definitivamente.
Tensões internas são resultantes da mutabilidade e do movimento.
Privilégios criam sérias dificuldades. Por um lado, reduzem a capacidade de ação. E por outro, através do descontentamento, criam focos de desagregação.
Estagnação = declínio.
Inversão = crescimento.
Motivos = invasão.
Por minha própria natureza significa uma inversão a longo prazo, com grandes imobilizações e intensos movimentos.
Concentração e seu efeitos durante um período cíclico.
Egoismo? Quero crer que não.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Caravana

"Corra não pare, não pense demais
Repare essas velas no cais
Que a vida é cigana
É caravana
É pedra de gelo ao sol
Degelou teus olhos tão sós
Num mar de água clara."

Geraldo Azevedo E Alceu Valença

terça-feira, 2 de junho de 2009

Abriram o céu, furaram as nuvens, armaram cubos de gelo, fizeram a terra esfriar. Sentiram aqui em baixo as raspas de gelo invisível. Tremeram e rangeram dentes sem entender o por quê de tanto frio. Olharam pro lado, sentaram no chão, correram. E nesses poucos minutos de calor sentiram os músculos formigarem.
Outros, azuis esverdiados já, de tanto se entregarem sem forças àquela invisibilidade fria, nem se mexiam, nem se lembravam mais... de mais nada.