“Bato ao postigo, à vidraça
Responde o ego, batendo
Não sei se lá está alguém
Ou não quer, não pode ouvir-me
Quisera eu estar lá dentro
E fora também, batendo
Quisera eu ser alívio
P'ra nosso alívio encontrar”
Nós somos sobreviventes. Sobreviventes de um mundo feito de regras e contratos sociais criados com apertos de mãos.
Somos sobreviventes de uma vida cotidiana que precisa ser econômica para disfarçar o abismo existente entre nós. Entre nós: pessoas. Ou para amenizar as mágoas e humilhações de todo dia, que habitam a convivência. Que estão presentes na rotina. Economia.
Equilíbrio da Balança de Pagamentos, um equilíbrio entre as humilhações e as arrogâncias. Economia emocional.
Será que a gente sobrevive?
“O prometido reino da sobrevivência será o campo da morte suave.”
Sobreviver aos olhares, aos apertos de mãos, ao “tapinha” nas costas, às palavras... será?
Vivemos de compensações imaginárias, pois precisamos preencher o vazio dos gestos cotidianos, o oco de todos. De todos os dias.
Todo o dia sobrevive porque o enchemos de ilusão. Mas essa pobreza dos gestos não resiste ao tempo. E o mesmo motivo que a faz subir, a leva ao chão com toda força.
Ilusão.
É a eternidade cotidiana da vida.
Sobreviver a doença, a alguma modalidade de tortura, a dor de estômago, de cabeça, a morte, a traição, a frustração, a verdade (é?), ao acidente de carro, aos cachorros, a ilusão e a desilusão, a maldade...
Não, - ainda - não sobrevivi à maldade.
Milhares de alfinetadas.
A surda irritação de quase todos. Todos os dias. Todos tão cansados. “Será necessário outro tanto de sangue para atestar que 100 mil alfinetadas são tão mortais quanto três cacetadas?”
Será que sobrevivemos a “isso” agora? Sobrevivemos ao amor? Não esse amor do mês passado que aparece no banco de uma praça, ou em uma aliança de metal. Mas a esse amor longo em extensão até se perder de vista. I-medível e bastante im-provável por fatos. Um mosaico de fatos circundando-o e ao mesmo tempo preenchendo-o, sendo tudo o que o faz existir. Inalienável, simplesmente porque ainda, e desde de sempre, apenas se sente, se sabe, se olha e se entende em silêncio. Amor que se descobre latente. E que acontece, porque existe. Deixe que se embrenhe um instante... “nossos corpos de sonho e margaridas”. Sem medidas e tons de preocupação.
“Que estejam dez homens decididos à violência fulgurante em vez de estarem conformados com a longa agonia da sobrevivência.”
Porque não resolve nada pular o cotidiano, a vida e o amor. Conformar com essa suavidade que é “longa agonia”, se entregar ao compromisso das relações de troca e mútua negociação entre respeito e humilhação. Não adianta nada não tratar explicitamente a vida cotidiana “sem compreenderem o que há de subversivo no amor e de positivo na recusa das coações”. Na recusa de bater continência ao que é pressuposto e ao que não seria aceito.
“Por toda parte em que a liberdade recua uma polegada, o peso da ordem das coisas aumenta em cem vezes.”
“Devo me contentar com explicações que me destroem mesmo quando, com tudo arranjado para eu perder, tenho tudo para ganhar?”
Sendo que o movimento é tão simples! É o mesmo que motivou o anterior, o responsável pela desarticulação do contrato social e suposto causador do sofrimento. Temos “Uma ética inteira fundada sobre o valor de troca, os desejos reprimidos, a sobrevivência, e sobre os seus opostos, a morte”.
E assim produzimos o isolamento. Nos afastamos em nome desse valor de troca que estabelece a ordem, tão necessária!
“Mas precisamos estar atentos à maneira como as “necessidades” são construídas e representadas”.
Como se estivéssemos em uma “jaula cuja porta estivesse completamente aberta” e nós não pudéssemos sair, nos mexer. Então é isso mesmo. “Teria sido anormal, impossível mesmo, sair em direção a algo que não tinha nem realidade nem importância. Absolutamente impossível, já que o único campo de experiência tolerável era o Real, que era simplesmente um instinto irresistível de fazer com que as coisas tivessem importância.”
Mas, é a vida que tem importância. O amor que existe é que tem importância. “Só se as coisas tivessem alguma importância se poderia respirar, e sofrer.”
“Estás preso à vida como numa jaula.
Estamos todos presos nesta jaula que Gagárin foi o primeiro a ver de fora e nos dizer: é azul.
E já o sabíamos, tanto que não te mataste e não vais te matar e aguentarás até o fim."
O homem está preso à vida e precisa viver.
"Há muitas armadilhas no mundo e é preciso quebra-las.”
“Estás pronto para destruir os recifes do velho mundo antes que eles afundem teus desejos? Falta aos amantes amar o seu prazer com mais conseqüência”.
Crio um mantra no qual o nome se repete. Dando voltas em círculos no ar, na areia, no tempo. No tempo, e é só mais uma ilusão minha. Mais uma tentativa de suavizar o meu isolamento. “O isolamento a dois não resiste ao isolamento de todos. O prazer desfaz-se prematuramente, os amantes reencontram-se nus no mundo, os seus gestos se tornam subitamente ridículos e sem força.”
Fragmentos retirados de Raoul Vaneigem e Avtar Brah.
"A aurora em que os abraços se soltam é semelhante a aurora em que morrem os revolucionários sem revolução."
terça-feira, 1 de setembro de 2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Apesar de estranho, é bom!
Por aquilo que não entendemos ficamos fascinados ou, então, tomamos antipatia. Podemos classificar como anormal, bobo, idiota ou qualquer outro adjetivo pejorativo. Afinal, não faz sentido mesmo. Ou podemos nos interessar, pode ser instigante e maravilhoso, por não entendermos. Podemos ler um livro inteiro sem entender nada dele e, mesmo assim, gostar. Bobeira, né?
Podemos também consumir coisas ou usar coisas que desconhecemos o por quê delas e mesmo assim recomendarmos aos outros como "muito boas!". Podemos ver um filme e detestar porque não parecia ter lógica ou porque não encontramos o motivo ou sentido dele. Da mesma forma, vemos pessoas e não conseguimos entender um tanto de coisas que elas fazem ou pensam, e por mais lógicas que pretendam ser nós nunca iremos entender uma boa parte delas.
Me parece que tudo tem um motivo, nem que seja a vontade e o interesse puro. Interesse puro... como pode haver? Como pode haver alguma coisa pura? Pureza...
Deixa pra lá, essa questão sempre deu muita briga.
Voltando ao sentido, ao fazer sentido. Tudo gira em torno do sentido de tudo. O sentido da vida, o sentido das palavras, o sentido do sinal vermelho, o sentido do fim e do começo, o sentido do presente, o sentido de Deus, o sentido das pessoas, o sentido das religiões, o sentido das famílias, o sentido da tradição, o sentido dos limites, o sentido das classificações, o sentido dos pensamentos, o sentido das ações... e mais uma gama de sentidos que acabam sem sentido nenhum.
Pensamos tanto no sentido das coisas que esquecemos que a maioria dos sentidos são criados por nós sem seguir nenhuma regra. É totalmente arbitrário! Criamos as coisas e seus sentidos. Fazemos com que elas funcionem a partir do que queremos significar com elas. E para todas as outras que funcionam independente da nossa criação, atribuimos mais que depressa um sentido.
As coisas precisam ter sentido, sem sentido perdemos a razão que parece ser a única coisa que salva o Ser Humano, atestando-o Ser Humano. Longe do sentido caimos na fé. Fé é acreditar naquilo que não sabemos, que desconhecemos. Entregamos ao mistério nossas expectativas e anseios por não darmos conta de explica-los. Quando não encontramos solução nenhuma para um possível sentido, colocamos tudo no âmbito da fé.
Ter fé não é ruim, não acho que seja. É uma espécie de ilusão. Pode ser uma saída também. Talvez o cuidado deva ser em como administrar e aceitar todas as consequencias que ela pode trazer. Prefiro o ceticismo. Sou cética. Confesso que as vezes torna-se pesado ser assim. Saber que tudo acaba e sentir tudo acabar. Ver toda a euforia que sempre dá no mesmo lugar. Não que isso seja pessimismo, o que também pode se tornar, mas nem sempre, apesar dos mais histéricos e tolos adorarem confundir as coisas.
Um brinde ao lúdico! Eu preciso dele pra viver.
Ceticismo e ludicismo, o que rege a minha existência.
Por aquilo que não entendemos ficamos fascinados ou, então, tomamos antipatia. Podemos classificar como anormal, bobo, idiota ou qualquer outro adjetivo pejorativo. Afinal, não faz sentido mesmo. Ou podemos nos interessar, pode ser instigante e maravilhoso, por não entendermos. Podemos ler um livro inteiro sem entender nada dele e, mesmo assim, gostar. Bobeira, né?
Podemos também consumir coisas ou usar coisas que desconhecemos o por quê delas e mesmo assim recomendarmos aos outros como "muito boas!". Podemos ver um filme e detestar porque não parecia ter lógica ou porque não encontramos o motivo ou sentido dele. Da mesma forma, vemos pessoas e não conseguimos entender um tanto de coisas que elas fazem ou pensam, e por mais lógicas que pretendam ser nós nunca iremos entender uma boa parte delas.
Me parece que tudo tem um motivo, nem que seja a vontade e o interesse puro. Interesse puro... como pode haver? Como pode haver alguma coisa pura? Pureza...
Deixa pra lá, essa questão sempre deu muita briga.
Voltando ao sentido, ao fazer sentido. Tudo gira em torno do sentido de tudo. O sentido da vida, o sentido das palavras, o sentido do sinal vermelho, o sentido do fim e do começo, o sentido do presente, o sentido de Deus, o sentido das pessoas, o sentido das religiões, o sentido das famílias, o sentido da tradição, o sentido dos limites, o sentido das classificações, o sentido dos pensamentos, o sentido das ações... e mais uma gama de sentidos que acabam sem sentido nenhum.
Pensamos tanto no sentido das coisas que esquecemos que a maioria dos sentidos são criados por nós sem seguir nenhuma regra. É totalmente arbitrário! Criamos as coisas e seus sentidos. Fazemos com que elas funcionem a partir do que queremos significar com elas. E para todas as outras que funcionam independente da nossa criação, atribuimos mais que depressa um sentido.
As coisas precisam ter sentido, sem sentido perdemos a razão que parece ser a única coisa que salva o Ser Humano, atestando-o Ser Humano. Longe do sentido caimos na fé. Fé é acreditar naquilo que não sabemos, que desconhecemos. Entregamos ao mistério nossas expectativas e anseios por não darmos conta de explica-los. Quando não encontramos solução nenhuma para um possível sentido, colocamos tudo no âmbito da fé.
Ter fé não é ruim, não acho que seja. É uma espécie de ilusão. Pode ser uma saída também. Talvez o cuidado deva ser em como administrar e aceitar todas as consequencias que ela pode trazer. Prefiro o ceticismo. Sou cética. Confesso que as vezes torna-se pesado ser assim. Saber que tudo acaba e sentir tudo acabar. Ver toda a euforia que sempre dá no mesmo lugar. Não que isso seja pessimismo, o que também pode se tornar, mas nem sempre, apesar dos mais histéricos e tolos adorarem confundir as coisas.
Um brinde ao lúdico! Eu preciso dele pra viver.
Ceticismo e ludicismo, o que rege a minha existência.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
A tarde talvez fosse azul
"Desejos e infortúnios, um lamento,
Antúrios esquecidos nas manhãs,
As águas vão seguindo os seus afãs,
As nuvens não se movem, falta o vento...
Talvez se ela não fosse tão distante
Se amor pudesse ser, simples amante,
Riria feito um frevo. Morto o blues
Porém querência tanta que agonia,
Tornando a tarde ausente, amarga e fria
Esqueço que nascemos todos nus..."
Drummond
Antúrios esquecidos nas manhãs,
As águas vão seguindo os seus afãs,
As nuvens não se movem, falta o vento...
Talvez se ela não fosse tão distante
Se amor pudesse ser, simples amante,
Riria feito um frevo. Morto o blues
Porém querência tanta que agonia,
Tornando a tarde ausente, amarga e fria
Esqueço que nascemos todos nus..."
Drummond
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Qual é a força que faz esse movimento?
Qual é a força que faz esse movimento?
A estruturação da experiência das pessoas é uma tentativa de por sua experiência numa camisa de força.
Todas foram reclamar a mesma coisa, mas descobriram que ocupavam posições diferentes e, portanto, suas reclamações, mesmo que fossem sobre o mesmo assunto, possuíam enfoques particulares e que por isso deveriam ser olhadas cada uma de maneira diferente.
"Cada descrição está referida a uma condição social específica. Vidas reais são forjadas a partir de articulações complexas dessas dimensões." Brah.
Interseccionalidade.
A miríade de processos que nos insere nas relações globais de poder são responsáveis por nossa diferenciação.
Existem vários sentidos para “diferença”. Quantos sentidos sempre há pra tudo?
É preciso olhar o que mais gera a opressão, a violência. Quais são os fatores que se acumulam, se juntam para fortalecer esse processo. Parece que ele nunca vem sozinho, sempre existem mais marcadores que se somatizam e geram todo esse sistema opressor.
A palavra diferença traz consigo uma variedade de significados que podem ser problemáticos se olhados separadamente.
A palavra muda de significado e obtém funções diferentes dependendo do lugar e de quem a utiliza.
“As fronteiras de um círculo de pessoas formado em torno de preocupações específicas dependem da natureza das preocupações e sua importância e significação na vida dessas pessoas.” Brah.
Talvez essa seja a força: os grupos são formados de acordo com interesses e preocupações individuais que tornam-se coletivas. E esses grupos se diferenciam de outros grupos na medida em que afirmam algo em comum, uma característica ou ideologia em comum entre as pessoas que fazem parte dele. E o que é comum em um grupo não é comum em outro.
Mas, por mais que se tente estabelecer o comum entre pessoas de um mesmo grupo, ou seja, buscar uma univocidade, elas vão sempre se esbarrar em outras formações de cada indivíduo.
Múltiplas localizações.
História, cultura, sociedade e limites.
Tudo se finaliza e aparece no corpo.
A estruturação da experiência das pessoas é uma tentativa de por sua experiência numa camisa de força.
Todas foram reclamar a mesma coisa, mas descobriram que ocupavam posições diferentes e, portanto, suas reclamações, mesmo que fossem sobre o mesmo assunto, possuíam enfoques particulares e que por isso deveriam ser olhadas cada uma de maneira diferente.
"Cada descrição está referida a uma condição social específica. Vidas reais são forjadas a partir de articulações complexas dessas dimensões." Brah.
Interseccionalidade.
A miríade de processos que nos insere nas relações globais de poder são responsáveis por nossa diferenciação.
Existem vários sentidos para “diferença”. Quantos sentidos sempre há pra tudo?
É preciso olhar o que mais gera a opressão, a violência. Quais são os fatores que se acumulam, se juntam para fortalecer esse processo. Parece que ele nunca vem sozinho, sempre existem mais marcadores que se somatizam e geram todo esse sistema opressor.
A palavra diferença traz consigo uma variedade de significados que podem ser problemáticos se olhados separadamente.
A palavra muda de significado e obtém funções diferentes dependendo do lugar e de quem a utiliza.
“As fronteiras de um círculo de pessoas formado em torno de preocupações específicas dependem da natureza das preocupações e sua importância e significação na vida dessas pessoas.” Brah.
Talvez essa seja a força: os grupos são formados de acordo com interesses e preocupações individuais que tornam-se coletivas. E esses grupos se diferenciam de outros grupos na medida em que afirmam algo em comum, uma característica ou ideologia em comum entre as pessoas que fazem parte dele. E o que é comum em um grupo não é comum em outro.
Mas, por mais que se tente estabelecer o comum entre pessoas de um mesmo grupo, ou seja, buscar uma univocidade, elas vão sempre se esbarrar em outras formações de cada indivíduo.
Múltiplas localizações.
História, cultura, sociedade e limites.
Tudo se finaliza e aparece no corpo.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
Cocas, cigarros e pôres-do-sol
Cocas e cigarros. Assim foi o nosso começo, lembra? *Ops, esqueci de mais um fator, pôres-do-sol.
Então fica: cocas, cigarros e pôres-do-sol. Todos os elementos de um começo.
Era muito cigarro, você fumava muito naquela época. Nós bebíamos muita coca-cola e ficávamos todas as tardes, depois de aulas, sentadas na grama juntas e víamos 0 pôr-do-sol. Lembrei de um dia desses agora, depois de tanto tempo... apenas algo que volta de repente.
Sempre fazíamos a brincadeira da sorte com os cílios e você sempre ganhava. Mas, um dia a sorte ficou comigo, era 19 de junho daquele ano, um pôr-do-sol. Eu sei o que eu desejei para um outro dia 19 de junho de um outro ano. Mais um pôr-do-sol com um lugar diferente. Um dia que ainda não chegou e que hoje não sei se chega mais. Eu ganhei a sorte nesse dia.
Posso pensar que vai acontecer, afinal eu ganhei a sorte! E acho que você estará fumando e nós bebendo coca.
Houve a promessa de parar de fumar. Promessa que até certo tempo foi cumprida, mas depois as coisas voltaram ao que eram. E terminamos mais ou menos assim, como no começo, com cocas, cigarros e pôres-do-sol. Tudo isso de novo, apenas em outro tom.
Eu podia ter pensado só em mim, mas não quis isso. Pra mim não fazia sentido existir um começo se esse começo fosse só pra mim e nosso começo não foi só pra mim. E tentei, errei, me perdi. Não sei se ficou a saudade e a falta enorme porque estamos longe. Já que vamos ficar longe, cada uma segue seu rumo e seus interesses e que esse ano seja o melhor para lembrarmos como foi bom e que houve sim algo bom.
Hoje é dia 16, ontem foi dia 15 e anteontem dia 14 de agosto. É só uma sequência e pode continuar sendo só isso mesmo. Apenas números e dias de um mês como todos os outros.
Eu queria sempre estar perto, nunca deixar e cuidar, mas tudo acaba. Eram 3 promessas pra sempre. Ingenuidade? Ou, só vontade?
"Se lembra quando a gente chegou um dia acreditar que tudo era pra sempre sem saber que o pra sempre sempre acaba? Mas nada vai conseguir mudar o que ficou. Quando penso em alguém só penso em você e ai, então, estamos bem.
Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está. Nem desistir nem tentar agora, tanto faz."
Era sincero e certo o te amo pra sempre, minha mulherzinha clara e escura!
Então fica: cocas, cigarros e pôres-do-sol. Todos os elementos de um começo.
Era muito cigarro, você fumava muito naquela época. Nós bebíamos muita coca-cola e ficávamos todas as tardes, depois de aulas, sentadas na grama juntas e víamos 0 pôr-do-sol. Lembrei de um dia desses agora, depois de tanto tempo... apenas algo que volta de repente.
Sempre fazíamos a brincadeira da sorte com os cílios e você sempre ganhava. Mas, um dia a sorte ficou comigo, era 19 de junho daquele ano, um pôr-do-sol. Eu sei o que eu desejei para um outro dia 19 de junho de um outro ano. Mais um pôr-do-sol com um lugar diferente. Um dia que ainda não chegou e que hoje não sei se chega mais. Eu ganhei a sorte nesse dia.
Posso pensar que vai acontecer, afinal eu ganhei a sorte! E acho que você estará fumando e nós bebendo coca.
Houve a promessa de parar de fumar. Promessa que até certo tempo foi cumprida, mas depois as coisas voltaram ao que eram. E terminamos mais ou menos assim, como no começo, com cocas, cigarros e pôres-do-sol. Tudo isso de novo, apenas em outro tom.
Eu podia ter pensado só em mim, mas não quis isso. Pra mim não fazia sentido existir um começo se esse começo fosse só pra mim e nosso começo não foi só pra mim. E tentei, errei, me perdi. Não sei se ficou a saudade e a falta enorme porque estamos longe. Já que vamos ficar longe, cada uma segue seu rumo e seus interesses e que esse ano seja o melhor para lembrarmos como foi bom e que houve sim algo bom.
Hoje é dia 16, ontem foi dia 15 e anteontem dia 14 de agosto. É só uma sequência e pode continuar sendo só isso mesmo. Apenas números e dias de um mês como todos os outros.
Eu queria sempre estar perto, nunca deixar e cuidar, mas tudo acaba. Eram 3 promessas pra sempre. Ingenuidade? Ou, só vontade?
"Se lembra quando a gente chegou um dia acreditar que tudo era pra sempre sem saber que o pra sempre sempre acaba? Mas nada vai conseguir mudar o que ficou. Quando penso em alguém só penso em você e ai, então, estamos bem.
Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está. Nem desistir nem tentar agora, tanto faz."
Era sincero e certo o te amo pra sempre, minha mulherzinha clara e escura!
domingo, 26 de julho de 2009
Infinita Tristeza
infinita tristeza
que vem e me invade como o deserto do Atacama
se confunde com a distância
a proximidade
pois no horizonte se unem as pontas
que me circundam por todos os lados
parecendo tão perto!
mas são extensões que se confundem no espaço aberto
que mescla a distância entre perto e longe
muito perto parecem
por tamanha claridade
e espaço tão livre!
mas longe, se sabe
pela união que acontece apenas com o horizonte.
infinita tristeza
esse perto e longe
que vem e me invade como o deserto do Atacama
se confunde com a distância
a proximidade
pois no horizonte se unem as pontas
que me circundam por todos os lados
parecendo tão perto!
mas são extensões que se confundem no espaço aberto
que mescla a distância entre perto e longe
muito perto parecem
por tamanha claridade
e espaço tão livre!
mas longe, se sabe
pela união que acontece apenas com o horizonte.
infinita tristeza
esse perto e longe
Pérolas
"Isso é inachável."
"Apenas pessoas insuportavelmente legais!"
"Vida é o que acontece enquanto planejamos uma."
"Bom senso é um órgão, tem gente que nasce sem."
"As quatros coisas mais importantes na vida é comer e viajar."
"Se a sua vida não está sendo comer o que tem vontade e dormir quando tem vontade, então ela não está valendo a pena."
Karla Castanheira
"Um psicanalista é o sonho de toda pessoa com problema psicológico!"
"Aohhh, lá em casa!"
Maressa Pereira
"Apenas pessoas insuportavelmente legais!"
"Vida é o que acontece enquanto planejamos uma."
"Bom senso é um órgão, tem gente que nasce sem."
"As quatros coisas mais importantes na vida é comer e viajar."
"Se a sua vida não está sendo comer o que tem vontade e dormir quando tem vontade, então ela não está valendo a pena."
Karla Castanheira
"Um psicanalista é o sonho de toda pessoa com problema psicológico!"
"Aohhh, lá em casa!"
Maressa Pereira
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