tem uma época que parece que tudo emperra. nada prospera, nada sai do lugar, nada se move. está tudo parado.
e aí você empurra, empurra, puxa, faz força, tenta de cá, tenta dalí, acolá... e nada.
nada se move.
começa a vir o desespero, a idéia de que não mudará nunca, o medo de estagnar.
por causa do medo e do desespero aparece uma força - vinda não sei de onde já que não se presume que força é, pois forças não há mais - que ainda te faz levantar e empurrar mais.
ah! parece que se moveu. e pensar no mais leve movimento já é um forte estímulo para continuar empurrando.
mas daí, continuas. empurra e empurra mas nada sai do lugar mesmo. e percebes que forças realmente já não tens mais e, ainda, quando olha pra tudo já desanimado parece que foi apenas uma impressão ver a coisa toda se mover.
desânimo agora. não mais desespero nem medo e nem nada que dê forças, pois as forças se foram.
agora é... tanto faz.
assim você cai numa inércia profunda e num cansaço mortal. como se a morte realmente rondasse espreitando agora pronta para te pegar, presa fácil, fragilizada.
há lá em algum lugar uma impressão que parece dizer: calma.
bom, é calma mesmo, fazer o quê?
uma calma sem esperanças de nada.
até que alguém te puxa, ou parece que alguém te puxa pois empiricamente não há ninguém e nenhuma mão.
e ao se levantar as coisas vão aparecendo e sendo aquilo que você gostaria. e aquilo que você queria acontece, está na sua frente!
a coisa toda saiu do lugar!
você sorri, feliz e calma, sorri...
e só resta dizer: ah, era tudo o que eu queria!
era tudo o que eu queria!
sim, era tudo o que eu queria!
"e que excitante é a estética repetida de um começo."
Silvia Beirute
"A aurora em que os abraços se soltam é semelhante a aurora em que morrem os revolucionários sem revolução."
sexta-feira, 12 de março de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
se va enredando, enredando...
"Mi paso retrocedido cuando el de usted es avance
El arca de las alianzas a penetrado en mi nido
Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena."
Não sei.
De repente foi só uma coisa chata, uma bobeirinha, sabe? Mas, de repente não quero mais.
Não sei o que acontece. Acho que estou cansada.
E acho que isso é um saco!
Ah, acho que não quero mais quase nada. Perdi um pouco a graça, sabe?
Então, por que?
É o mundo, são os planos, são os sonhos, são os outros, somos todos, é você, meu cachorro, é um filme, sou eu.
Não quero que nada se perca pelo caminho. Que nada fique para trás, mas... e se ficar? e se ficou?
Não vou voltar recolhendo o que se perde, e não vou lamentar a perda. Espero que isso não faça falta ou não crie problemas.
Espero não olhar com um olhar cansado.
Espero não me fechar. Ou que antes, eu sempre me abra.
Vai, vai juntando as coisas.
Ah, só quero dormir e descansar!
El arca de las alianzas a penetrado en mi nido
Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena."
Não sei.
De repente foi só uma coisa chata, uma bobeirinha, sabe? Mas, de repente não quero mais.
Não sei o que acontece. Acho que estou cansada.
E acho que isso é um saco!
Ah, acho que não quero mais quase nada. Perdi um pouco a graça, sabe?
Então, por que?
É o mundo, são os planos, são os sonhos, são os outros, somos todos, é você, meu cachorro, é um filme, sou eu.
Não quero que nada se perca pelo caminho. Que nada fique para trás, mas... e se ficar? e se ficou?
Não vou voltar recolhendo o que se perde, e não vou lamentar a perda. Espero que isso não faça falta ou não crie problemas.
Espero não olhar com um olhar cansado.
Espero não me fechar. Ou que antes, eu sempre me abra.
Vai, vai juntando as coisas.
Ah, só quero dormir e descansar!
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Dias nublados... e o mar!
Vou pintar pra você um dia nublado,
com céu fechado e, lá no alto,
algum pássaro.
Calor... tem dias aqui nessa cidade em que tudo tende à vertigem.
É sol de cima abaixo.
Calor que vai para os lados, queimando.
Poderiam vir mais dias nublados...
E o que eu queria mesmo: o mar!
Esse com sol, com chuva, vento ou frio, tanto faz... é o mar!!
"Y en el mar enseña el amor
un arrebato repetido."
Mar: ainda hei de acordar e todos os dias te olhar!
com céu fechado e, lá no alto,
algum pássaro.
Calor... tem dias aqui nessa cidade em que tudo tende à vertigem.
É sol de cima abaixo.
Calor que vai para os lados, queimando.
Poderiam vir mais dias nublados...
E o que eu queria mesmo: o mar!
Esse com sol, com chuva, vento ou frio, tanto faz... é o mar!!
"Y en el mar enseña el amor
un arrebato repetido."
Mar: ainda hei de acordar e todos os dias te olhar!
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Alagados
Também ninguém esperava que tantos pontos de alagamentos acontecessem em tantas cidades diferentes e nem em tantos pontos de uma mesma cidade.
Água subindo e engolindo uma cidade cercada por serras. Pessoas subindo as encostas das serras. Nas mãos o máximo de objetos que elas podiam levar de suas casas. Uma cidade que ficou quase dois dias embaixo d'água.
Vila Romana: água pela cintura; rio que transborda e água que não diminue e nem escoe desde o final de 2009, em dezembro; esgoto e água misturados; pessoas que não podem sair de suas casas por não terem a onde ir; e ladrões que ainda entram nas casas vazias para roubar o que resta nelas.
Estradas rompidas com imensas rachaduras que mais se parecem com abismos, pois não param de crescer abrindo buracos.
Perde-se tudo.
Água, lama, lixo, esgoto.
Sujeira em todos os lados.
Janeiro: o mês que mais chove desde 1943.
"Desastres naturais" e humanos.
Alagamentos acometendo até países vizinhos.
Prejuízos e destruição.
Estado de Emergência.
Milhões de desabrigados.
Morros desabando.
Chuvas, enchentes, desmoronamentos.
Bueiros com água explodindo para cima.
Susto e desepero.
Mortos.
Tristeza.
Lágrimas.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Nostalgia.. lembranças
"Quanto mais forte é a sua nostalgia, mais ela se esvazia de lembranças.
A gigantesca vassoura invisível que transforma, desfigura, apaga as paisagens está trabalhando há milênios, mas seus movimentos, outrora lentos, apenas perceptíveis, aceleram-se de tal modo que eu me pergunto: a Odisséia, hoje, seria concebível? A epopéia do retorno pertence ainda a nossa época?
...da primeira juventude, esse tempo encerrado, perdido, tempo abandonado, triste como um orfanato...
Quanto mais vasto o tempo que deixamos para trás, mais irresistível é a voz que nos convida ao retorno.
...aquela que tomou conhecimento do tempo, que deixou um pedaço de sua vida para trás e que pode virar a cabeça para olhá-lo.
Uma conversa contínua embala os casais, sua corrente melodiosa estende um véu sobre os desejos declinantes do corpo. Quando essa conversa é interrompida, a ausência de amor físico surge como um espectro.
...o passado que lembramos é desprovido de tempo.
Miséria e orgulho. Em cima de um cavalo a morte e um pavão. Ela está de pé em frente à janela e olha o céu. Céu sem estrelas, cobertura negra."
M. Kundera
A gigantesca vassoura invisível que transforma, desfigura, apaga as paisagens está trabalhando há milênios, mas seus movimentos, outrora lentos, apenas perceptíveis, aceleram-se de tal modo que eu me pergunto: a Odisséia, hoje, seria concebível? A epopéia do retorno pertence ainda a nossa época?
...da primeira juventude, esse tempo encerrado, perdido, tempo abandonado, triste como um orfanato...
Quanto mais vasto o tempo que deixamos para trás, mais irresistível é a voz que nos convida ao retorno.
...aquela que tomou conhecimento do tempo, que deixou um pedaço de sua vida para trás e que pode virar a cabeça para olhá-lo.
Uma conversa contínua embala os casais, sua corrente melodiosa estende um véu sobre os desejos declinantes do corpo. Quando essa conversa é interrompida, a ausência de amor físico surge como um espectro.
...o passado que lembramos é desprovido de tempo.
Miséria e orgulho. Em cima de um cavalo a morte e um pavão. Ela está de pé em frente à janela e olha o céu. Céu sem estrelas, cobertura negra."
M. Kundera
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Olhando o céu...
Olhando o céu, ele está tão bonito com essa cor rósea de cara de chuva. E isso é tão bom. Vai chover hoje. Já choveu. Choverá mais.
Estou nas nunvens azuis, azuizinhas... ah!
Me pega pela mão, me olha e sorri.
Se encanta com o meu sorriso e diz sentir falta,
falta de mim.
Você vem sempre aqui?
Alegria que transborda!
Enche todos os cantos com cores diversas
e bocejos matinais. Bom dia, meu amor!
O céu está azulzinho!
Estou nas nunvens azuis, azuizinhas... ah!
Me pega pela mão, me olha e sorri.
Se encanta com o meu sorriso e diz sentir falta,
falta de mim.
Você vem sempre aqui?
Alegria que transborda!
Enche todos os cantos com cores diversas
e bocejos matinais. Bom dia, meu amor!
O céu está azulzinho!
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
"O que se sonha quando tudo se torna realidade?
Porventura achei uma resposta, simples, mas ainda uma resposta que um coração bobo te dá. A resposta é que cada dia é um sonho, cada momento é único e especial, então se espera sempre o hoje e o amanhã e procura-se entender esse ser que te faz tão feliz!"
F. Filho.
Esse ser pra mim também é: você!
"Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
...
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente."
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
"Eu não sei, não sei dizer
Mas de repente essa alegria em mim
Alegria de viver
Que alegria de viver
E de ver tanta luz, tanto azul!
Quem jamais poderia supor
Que de um mundo que era tão triste e sem cor
Brotaria essa flor inocente
Chegaria esse amor de repente
E o que era somente um vazio sem fim
Se encheria de cores assim
Coração, põe-te a cantar
Canta o poema da primavera em flor
Canta o poema da primavera em flor
É o amor, o amor chegou
Chegou enfim"
Vinícius de Morais
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
ensaio sobre a paixão - o que está apenas no sonho...
o que é a paixão?
de repente, o que é estar apaixonado?
é como uma admiração profunda e sincera. uma admiração do outro, pelo o que se está apaixonado. como uma dominação pelo o outro ou uma adoração silenciosa que envolve uma humildade e um certo reconhecimento do que é do outro. e do que ele é. do que é dele e, sim, inteiramente admirável.
como uma admiração serena e plena. algo tranquilo que envolve uma alegria serena que demora a passar ou, que antes, não passa nunca por não ser apenas um momento. é um fato. que por ser fato de repente pode ser novamente admirado.
uma admiração que faz olhar e querer olhar. que prende o olhar, porque o fascina, porque o deixa extasiado e que seria cabível e totalmente possível permanecer assim sempre, olhando para o motivo da paixão. e é o lugar pra onde o olhar sempre se volta, quando é desviado ou mesmo forçado a olhar para outra direção.
uma admiração que leva a esse lugar de paz e serenidade, de êxtase e euforia porque é algo pleno. é algo que completa ou, que ao menos, dá essa sensação. pois é algo que preenche os espaços dentro da alma e a resgata lá do fundo do ser ou do local em que ela se perde, trazendo-a de volta ao corpo e fazendo-a percorrer e sacudir o corpo todo. é trazida até os póros. corre como uma torrente porque vem à tona. o seu motivo a chama de repente, e não mais que de repente.
de repente. essa é a marca da paixão. algo repentino que invade o corpo, que chama a alma para o corpo, que a solta da ignorância e indiferença na qual ela passa boa parte do tempo.
de repente. porque a alma é trazida por inteira. não mais uma parte, como está acostumada a aparecer. não mais metade, como representação do nosso pensamento dual mente/corpo. mas como uma união perfeita entre esse dualism - mente/corpo - que causa arrepios e nos deixa em êxtase.
é uma admiração. um êxtase. uma plenitude. arrepios e comoção. um de repente paralizante.
(acho que isso é paixão! 2010..rsrs)
de repente, o que é estar apaixonado?
é como uma admiração profunda e sincera. uma admiração do outro, pelo o que se está apaixonado. como uma dominação pelo o outro ou uma adoração silenciosa que envolve uma humildade e um certo reconhecimento do que é do outro. e do que ele é. do que é dele e, sim, inteiramente admirável.
como uma admiração serena e plena. algo tranquilo que envolve uma alegria serena que demora a passar ou, que antes, não passa nunca por não ser apenas um momento. é um fato. que por ser fato de repente pode ser novamente admirado.
uma admiração que faz olhar e querer olhar. que prende o olhar, porque o fascina, porque o deixa extasiado e que seria cabível e totalmente possível permanecer assim sempre, olhando para o motivo da paixão. e é o lugar pra onde o olhar sempre se volta, quando é desviado ou mesmo forçado a olhar para outra direção.
uma admiração que leva a esse lugar de paz e serenidade, de êxtase e euforia porque é algo pleno. é algo que completa ou, que ao menos, dá essa sensação. pois é algo que preenche os espaços dentro da alma e a resgata lá do fundo do ser ou do local em que ela se perde, trazendo-a de volta ao corpo e fazendo-a percorrer e sacudir o corpo todo. é trazida até os póros. corre como uma torrente porque vem à tona. o seu motivo a chama de repente, e não mais que de repente.
de repente. essa é a marca da paixão. algo repentino que invade o corpo, que chama a alma para o corpo, que a solta da ignorância e indiferença na qual ela passa boa parte do tempo.
de repente. porque a alma é trazida por inteira. não mais uma parte, como está acostumada a aparecer. não mais metade, como representação do nosso pensamento dual mente/corpo. mas como uma união perfeita entre esse dualism - mente/corpo - que causa arrepios e nos deixa em êxtase.
é uma admiração. um êxtase. uma plenitude. arrepios e comoção. um de repente paralizante.
(acho que isso é paixão! 2010..rsrs)
domingo, 27 de dezembro de 2009
mais que acasos
Quando fui defender minha monografia, a primeira pergunta que me fizeram foi "qual a sua motivação em estudar esse tema".
a princípio, quando me interessei por meu assunto e até quando resolvi estudá-lo não sabia exatamente o que me levava até ele. na verdade, nem pensava que alguma coisa me levava até ele. pareciam acasos.
coisas que acontecem sem nossa previsão, sem um cálculo preciso e certo. nada racionalmente lógico e premeditado. eu simplesmente li sobre o assunto e comecei a estudá-lo.
é certo sim que algo me movimentava a não desistir, afinal é um tema complexo, difícil, talvez, para uma simples monografia. algo extenso e que, claro, não ficaria apenas nesse estágio, a monografia.
algo me estimulava e não me deixava sentir o cansaço ou o quanto tudo aquilo estava me sugando e interferindo em vários aspectos da minha vida. na realidade, acho que mexia e mexe até hoje porque a motivação não vem simplesmente de "acasos", ou meras coincidências.
já ao final, no momento de encerrar a pesquisa, as investigações, percebi que o motivo vinha de um lugar muito mais longe. muito mais longe do que eu mesma pensava.
as coincidências e os acasos foram feitos por mim para dar todo o aspecto informal e nada particular, e com isso não intimidar ninguém e nem levar as pessoas a pensarem coisas que realmente não eram o motivo. acho que fiz tudo isso de maneira quase inconsciente. veja bem, não digo "de maneira inconsciente", mas de maneira "quase" inconsciente. o "quase" vem da negação que coloquei pra mim mesma. era um movimento consciente mas que para ser amenizado, até para mim mesma, deveria parecer "quase" inconsciente, sendo muito mais casual.
a primeira mostra do meu real motivo surgiu quando eu não conseguia escrever o final da monografia. quando eu não conseguia finalizar as escrituras e juntar as partes daquilo com que eu trabalhara insistentemente e me dedicara sentindo o esforço em buscar compreender o máximo que podia. não era uma compreensão para mostrar aos outros, era algo mais individual. parecia uma urgência.
como saber isso, como sentir isso? quando percebi que as datas, de fato, não me preocupavam tanto quanto chegar a um ponto, que não foi pra mim suficiente, mas que era sufiente para os outros. "um trabalho impecável", como foi também a primeira observação feita desse trabalho.
isso me soou como uma certeza. uma confirmação do que meses antes eu estava descobrindo: minha motivação era algo particular e para mim não estava impecável porque ainda ficaram partes em mim que pedem por esclarecimentos. partes que pedem por calma ou por especulações, se as "calmas" não vierem.
meses antes, ao começar a finalizar a monografia, senti uma dificuldade tão grande que ainda não tinha sentido durante o um ano e meio que pesquisava. escrever me pareceu mais difícil e árduo e me deixou mais assutada do que ler em outros idiomas livros inteiros e autores complicados, mesmo quando tudo parecia tão claro dentro da minha cabeça.
foi ai que cai perplexa diante do teclado e entendi que toda a minha repulsa era por algo ligado a minha vida particular que não havia se resolvido ainda. algo que para mim estava pendente. entendi que tudo aquilo fizera parte desses dois anos de estudos, e mais que isso, era uma necessidade mais profunda. ela vinha de longe.
responsável pelos acasos, responsável pelo interesse a princípio despretensioso, pela motivação, responsável por manter a vibração e por não sentir que estava, ao final, um trabalho impecável. apesar de bom, não está finalizado.
acho que a escolha da minha profissão, da minha faculdade, que até hoje é algo estranho pela forma como foi escolhida, vem de algo muito mais longe do que posso ver. do que podem ver os outros. vem de uma necessidade profunda. um desejo profundo que me conduziu até aqui, até onde cheguei.
algo profundamente enraizado em mim que não tem relação com acasos e nem com fatores externos.
É preciso, sim, foi preciso.
a princípio, quando me interessei por meu assunto e até quando resolvi estudá-lo não sabia exatamente o que me levava até ele. na verdade, nem pensava que alguma coisa me levava até ele. pareciam acasos.
coisas que acontecem sem nossa previsão, sem um cálculo preciso e certo. nada racionalmente lógico e premeditado. eu simplesmente li sobre o assunto e comecei a estudá-lo.
é certo sim que algo me movimentava a não desistir, afinal é um tema complexo, difícil, talvez, para uma simples monografia. algo extenso e que, claro, não ficaria apenas nesse estágio, a monografia.
algo me estimulava e não me deixava sentir o cansaço ou o quanto tudo aquilo estava me sugando e interferindo em vários aspectos da minha vida. na realidade, acho que mexia e mexe até hoje porque a motivação não vem simplesmente de "acasos", ou meras coincidências.
já ao final, no momento de encerrar a pesquisa, as investigações, percebi que o motivo vinha de um lugar muito mais longe. muito mais longe do que eu mesma pensava.
as coincidências e os acasos foram feitos por mim para dar todo o aspecto informal e nada particular, e com isso não intimidar ninguém e nem levar as pessoas a pensarem coisas que realmente não eram o motivo. acho que fiz tudo isso de maneira quase inconsciente. veja bem, não digo "de maneira inconsciente", mas de maneira "quase" inconsciente. o "quase" vem da negação que coloquei pra mim mesma. era um movimento consciente mas que para ser amenizado, até para mim mesma, deveria parecer "quase" inconsciente, sendo muito mais casual.
a primeira mostra do meu real motivo surgiu quando eu não conseguia escrever o final da monografia. quando eu não conseguia finalizar as escrituras e juntar as partes daquilo com que eu trabalhara insistentemente e me dedicara sentindo o esforço em buscar compreender o máximo que podia. não era uma compreensão para mostrar aos outros, era algo mais individual. parecia uma urgência.
como saber isso, como sentir isso? quando percebi que as datas, de fato, não me preocupavam tanto quanto chegar a um ponto, que não foi pra mim suficiente, mas que era sufiente para os outros. "um trabalho impecável", como foi também a primeira observação feita desse trabalho.
isso me soou como uma certeza. uma confirmação do que meses antes eu estava descobrindo: minha motivação era algo particular e para mim não estava impecável porque ainda ficaram partes em mim que pedem por esclarecimentos. partes que pedem por calma ou por especulações, se as "calmas" não vierem.
meses antes, ao começar a finalizar a monografia, senti uma dificuldade tão grande que ainda não tinha sentido durante o um ano e meio que pesquisava. escrever me pareceu mais difícil e árduo e me deixou mais assutada do que ler em outros idiomas livros inteiros e autores complicados, mesmo quando tudo parecia tão claro dentro da minha cabeça.
foi ai que cai perplexa diante do teclado e entendi que toda a minha repulsa era por algo ligado a minha vida particular que não havia se resolvido ainda. algo que para mim estava pendente. entendi que tudo aquilo fizera parte desses dois anos de estudos, e mais que isso, era uma necessidade mais profunda. ela vinha de longe.
responsável pelos acasos, responsável pelo interesse a princípio despretensioso, pela motivação, responsável por manter a vibração e por não sentir que estava, ao final, um trabalho impecável. apesar de bom, não está finalizado.
acho que a escolha da minha profissão, da minha faculdade, que até hoje é algo estranho pela forma como foi escolhida, vem de algo muito mais longe do que posso ver. do que podem ver os outros. vem de uma necessidade profunda. um desejo profundo que me conduziu até aqui, até onde cheguei.
algo profundamente enraizado em mim que não tem relação com acasos e nem com fatores externos.
É preciso, sim, foi preciso.
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