quinta-feira, 27 de maio de 2010

algo comum

Outro dia, pesquisando sobre uma imagem da infância que queria rever, de repente, me perdi! Era uma pintura, um quadro. Uma mulher em um campo com folhagens soltas e altas, como se fosse trigo.
Tinha vento nessa pintura porque o seu vestido claro balançava, assim como o seu cabelo.

Não me lembro ao certo se existia chapéu ou sombrinha. Aí é que está: existiam detalhes apagados pela memória que me restavam em suspenso, sem uma certeza. Sem saber se era eu quem os queria no quadro da minha imaginação ou se de fato existiam no quadro que vi.

Uma coisa, o quadro existiu e em mim restou como uma impressão.

Outra coisa, o quadro representou algo mim pois o guardei até hoje ao ponto de ter a intenção de vê-lo novamente.

Então, fui procurar o quadro.

Mas olhe,







existem pelo menos três quadros com o mesmo motivo. E agora?
E ainda existem outros quadros semelhantes. Peguei os que se pareciam mais com o que eu guardo.
Mas, e agora?

É um quadro comum. Foi a conclusão que cheguei, e fiquei assustada com ela. Pra mim parecia tão único...
É comum. Comum.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

"O grandioso e o majestoso, assim como a glória e o mágico sucesso me deixam calada, triste, mas as coisas fáceis de pintar, simples de se compreender, onde mora a ternura e o amor do nosso povo, isso me consola, isto me comove. (…)"



Anita Malfatti

segunda-feira, 22 de março de 2010

Hoje são 15 horas e 15 minutos.
Agora é dia 22 de março de 2010.

Sexta-feira foi dia 19 de março de 2010.
O céu era alto e azul com nuvens ora brancas, ora cinzas.
Foi de 1 hora às 24:59 minutos de sexta.
Um dia.

Depois foi sábado e as horas foram ainda de 1 às 24:59.
Depois foi domingo, de 1 às 24:59.
E hoje são 15:15 de agora dia 22 de março.
Agora é segunda-feira.

Eu sou de cabelo mediano, tenho imagens na cabeça, faço arte com os brincos.
Sou do olhar de baixo de uns, do olhar de alto de poucos.
Sou de olhos azuis - vejo azul em tudo o que vejo.
Sou samedi e dimanche.
Vários olhares páram no meio da retina.

sexta-feira, 12 de março de 2010

"e que excitante é a estética repetida de um começo."

tem uma época que parece que tudo emperra. nada prospera, nada sai do lugar, nada se move. está tudo parado.
e aí você empurra, empurra, puxa, faz força, tenta de cá, tenta dalí, acolá... e nada.
nada se move.
começa a vir o desespero, a idéia de que não mudará nunca, o medo de estagnar.
por causa do medo e do desespero aparece uma força - vinda não sei de onde já que não se presume que força é, pois forças não há mais - que ainda te faz levantar e empurrar mais.
ah! parece que se moveu. e pensar no mais leve movimento já é um forte estímulo para continuar empurrando.
mas daí, continuas. empurra e empurra mas nada sai do lugar mesmo. e percebes que forças realmente já não tens mais e, ainda, quando olha pra tudo já desanimado parece que foi apenas uma impressão ver a coisa toda se mover.
desânimo agora. não mais desespero nem medo e nem nada que dê forças, pois as forças se foram.
agora é... tanto faz.
assim você cai numa inércia profunda e num cansaço mortal. como se a morte realmente rondasse espreitando agora pronta para te pegar, presa fácil, fragilizada.

há lá em algum lugar uma impressão que parece dizer: calma.
bom, é calma mesmo, fazer o quê?
uma calma sem esperanças de nada.

até que alguém te puxa, ou parece que alguém te puxa pois empiricamente não há ninguém e nenhuma mão.
e ao se levantar as coisas vão aparecendo e sendo aquilo que você gostaria. e aquilo que você queria acontece, está na sua frente!
a coisa toda saiu do lugar!
você sorri, feliz e calma, sorri...
e só resta dizer: ah, era tudo o que eu queria!
era tudo o que eu queria!
sim, era tudo o que eu queria!


"e que excitante é a estética repetida de um começo."

Silvia Beirute

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

se va enredando, enredando...

"Mi paso retrocedido cuando el de usted es avance
El arca de las alianzas a penetrado en mi nido
Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena."


Não sei.
De repente foi só uma coisa chata, uma bobeirinha, sabe? Mas, de repente não quero  mais.
Não sei o que acontece. Acho que estou cansada.
E acho que isso é um saco!
Ah, acho que não quero mais quase nada. Perdi um pouco a graça, sabe?
Então, por que?
É o mundo, são os planos, são os sonhos, são os outros, somos todos, é você, meu cachorro, é um filme, sou eu.

Não quero que nada se perca pelo caminho. Que nada fique para trás, mas... e se ficar? e se ficou?
Não vou voltar recolhendo o que se perde, e não vou lamentar a perda. Espero que isso não faça falta ou não crie problemas.
Espero não olhar com um olhar cansado.
Espero não me fechar. Ou que antes, eu sempre me abra.
Vai, vai juntando as coisas.

Ah, só quero dormir e descansar!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Dias nublados... e o mar!

Vou pintar pra você um dia nublado,
com céu fechado e, lá no alto,
algum pássaro.



Calor... tem dias aqui nessa cidade em que tudo tende à vertigem.
É sol de cima abaixo.
Calor que vai para os lados, queimando.

Poderiam vir mais dias nublados...

E o que eu queria mesmo: o mar!
Esse com sol, com chuva, vento ou frio, tanto faz... é o mar!!

"Y en el mar enseña el amor
un arrebato repetido."

Mar: ainda hei de acordar e todos os dias te olhar!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Alagados



 
Ninguém esperava que chovesse tanto. Ninguém esperava que os rios e córregos transbordassem. Nem que as encostas descessem, ou que a água ficasse mais de um mês, 45 dias, sem escoar ou diminuir.

Também ninguém esperava que tantos pontos de alagamentos acontecessem em tantas cidades diferentes e nem em tantos pontos de uma mesma cidade.

Água subindo e engolindo uma cidade cercada por serras. Pessoas subindo as encostas das serras. Nas mãos o máximo de objetos que elas podiam levar de suas casas. Uma cidade que ficou quase dois dias embaixo d'água.

Vila Romana: água pela cintura; rio que transborda e água que não diminue e nem escoe desde o final de 2009, em dezembro; esgoto e água misturados; pessoas que não podem sair de suas casas por não terem a onde ir; e ladrões que ainda entram nas casas vazias para roubar o que resta nelas.

Estradas rompidas com imensas rachaduras que mais se parecem com abismos, pois não param de crescer abrindo buracos.

Perde-se tudo.

Água, lama, lixo, esgoto.
Sujeira em todos os lados.
Janeiro: o mês que mais chove desde 1943.
"Desastres naturais" e humanos.
Alagamentos acometendo até países vizinhos.
Prejuízos e destruição.
Estado de Emergência.
Milhões de desabrigados.
Morros desabando.
Chuvas, enchentes, desmoronamentos.
Bueiros com água explodindo para cima.
Susto e desepero.
Mortos.
Tristeza.
Lágrimas.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Nostalgia.. lembranças

"Quanto mais forte é a sua nostalgia, mais ela se esvazia de lembranças.

A gigantesca vassoura invisível que transforma, desfigura, apaga as paisagens está trabalhando há milênios, mas seus movimentos, outrora lentos, apenas perceptíveis, aceleram-se de tal modo que eu me pergunto: a Odisséia, hoje, seria concebível? A epopéia do retorno pertence ainda a nossa época?

...da primeira juventude, esse tempo encerrado, perdido, tempo abandonado, triste como um orfanato...
Quanto mais vasto o tempo que deixamos para trás, mais irresistível é a voz que nos convida ao retorno.

...aquela que tomou conhecimento do tempo, que deixou um pedaço de sua vida para trás e que pode virar a cabeça para olhá-lo.

Uma conversa contínua embala os casais, sua corrente melodiosa estende um véu sobre os desejos declinantes do corpo. Quando essa conversa é interrompida, a ausência de amor físico surge como um espectro.

...o passado que lembramos é desprovido de tempo.

Miséria e orgulho. Em cima de um cavalo a morte e um pavão. Ela está de pé em frente à janela e olha o céu. Céu sem estrelas, cobertura negra."


M. Kundera

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Olhando o céu...

Olhando o céu, ele está tão bonito com essa cor rósea de cara de chuva. E isso é tão bom. Vai chover hoje. Já choveu. Choverá mais.

Estou nas nunvens azuis, azuizinhas... ah!

Me pega pela mão, me olha e sorri.
Se encanta com o meu sorriso e diz sentir falta,
falta de mim.

Você vem sempre aqui?
Alegria que transborda!
Enche todos os cantos com cores diversas
e bocejos matinais. Bom dia, meu amor!

O céu está azulzinho!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010



"O que se sonha quando tudo se torna realidade?
Porventura achei uma resposta, simples, mas ainda uma resposta que um coração bobo te dá. A resposta é que cada dia é um sonho, cada momento é único e especial, então se espera sempre o hoje e o amanhã e procura-se entender esse ser que te faz tão feliz!"


F. Filho.
Esse ser pra mim também é: você!

"Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
...
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente."