terça-feira, 6 de outubro de 2009

sorrisos irritantes

arghhh...

Às vezes me cansa essa gente feliz. Feliz demais, feliz sempre, como se a vida fosse um doce interminável, eternamente gostoso e nunca enjoativo, ao menos. Como se a felicidade fosse constante, ou como se apenas existisse ela.
Não é uma felicidade espontânea que surge com coisas simples, com coisas boas, com coisas bobas até. É uma felicidade irritante que parece mais uma obrigação, a obrigação de ter que ser feliz. A obrigação de "Veja como sou feliz, eu sorrio o tempo todo!" Parece até forçasão, e talvez seja.
É o sorriso de ponta a ponta, de uma orelha a outra. Uma felicidade de ver aquela pessoa que você não gosta, de ter que aturá-la por mais tempo que o desejável, e de ter que ser agradável com ela. De sorrir para ela. É essa a felicidade que me irrita.
É o sorriso de sempre. A pessoa acorda e dorme, e sonha, com o mesmo sorriso estampado no rosto. Isso pode ser insensibilidade...
Às vezes acho que essas pessoas não sentem, nada.
Talvez sim, talvez não.
Não sei aonde elas são sensíveis ou se escondem. Talvez esse sorrir seja só um meio, o seu meio de disfarçar.
É. E talvez pensar assim me deixe menos irritada quando vejo tantos sorrisos 24 horas de todos os dias dos meses de todos os anos.

domingo, 4 de outubro de 2009

Las simples cosas... que duelen en el corazón

Homenagem a Mercedes Sosa - Grande!

Uno se despide insensiblemente de pequeñas cosas,
Lo mismo que un árbol en tiempos de otoño muere por sus hojas.
Al fin la tristeza es la muerte lenta de las simples cosas,
Esas cosas simples que quedan doliendo en el corazón.

Uno vuelve siempre a los viejos sitios en que amó la vida,
Y entonces comprende como están de ausentes las cosas queridas.
Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
Que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.

Demorate aquí, en la luz mayor de este mediodía,
Donde encontrarás con el pan al sol la mesa servida.

Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
Que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.


Canción de las Simples Cosas

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Paz

A paz invadiu o meu coração
De repente me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais

A paz fez um mar da revolução
Invadiu meu destino... A paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer um Japão na paz

Eu pensei em mim, eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição só a guerra faz
Nosso amor em paz
Eu vim, vim parar na beira do cais
Aonde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos ais

A paz invadiu o meu coração...

A paz fez um mar da revolução...



Zizi Possi

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

terça-feira, 15 de setembro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Um dia eu vou estar à toa
E você vai estar na mira
Eu sei que você sabe
Que eu sei que você sabe
Que é difícil de dizer
O meu coração
É um músculo involuntário
E ele pulsa por você
Um dia eu vou estar contigo
E você vai estar na minha

Enquanto eu vou andando o mundo gira
E nos espera numa boa
Eu sei, eu sei,
Eu sei


Eu sei - Marisa Monte

terça-feira, 8 de setembro de 2009

uma vela pelo amor
o requiem à luz do sol
mais um relógio que eternamente dá horas




Eva Christina Zeller

Por alguns dias, quase te esqueci! - Pequenas Verdades

Por alguns dias, quase te esqueci!
Troquei a tua lembrança por espectáculos de sombras chinesas e jogos de xadrez.
Na penumbra das sombras, encontrei mãos que como veludo, desenhavam imagens e me tocavam a alma.
No tabuleiro do jogo, desvendei labirintos geométricos, tracei esquemas de vitória, ultrapassei obstáculos desconhecidos e recuperei desafios esquecidos.
O ocaso da estação trouxe-me novamente o teu perfume e enceto o Verão lembrando outras sombras e outros labiríntos.
No reflexo da minha janela: a imagem permanente do acender do teu cigarro ao luar. No meu sonho: as correntes fantásticas do teu narrar, ...as viagens ondulantes a tomar forma no teu semblante.
É a persistência da tua lembraça, a inevitabilidade da tua presença que não me deixam esquecer a solidão.
Porque as sombras que me tocam a alma e os tabuleiros que me desafiam não bastam, não são suficientemente imperfeitos para se enraizarem e no fim... tu!
Sempre tu, ou somente tu!



Xangai-Lime





No meu deserto de água
Não havia luz para te olhar
Tive que roubar a lua
Para te poder iluminar

Quando iluminei o teu rosto
Fez-se dia no meu corpo
Enquanto eu te iluminava
Minha alma nascia de novo


São as pequenas verdades
As que guiam o meu caminho
Verdades brancas
Como a manhã
Que abre a janela do nosso destino
Como o teu olhar
Quando tu me olhas
Como a tua lembrança
Depois de partires

É verdade que a sombra do ar me queima
E é verdade que sem ti eu morro de pena

Misteriosa era a tua boca
Misterioso o meu lamento
Mas não se o nosso amor de primavera
Foi mentira ou uma paixão verdadeira

Quando a solidão regresse
Cega de amor irei até à morte
As verdades só existem pelos recantos da mente
Essas pequenas verdades que guiaram o meu caminho


Pequenas Verdades - Javier Límon

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Uma criatura

Sei de uma criatura antiga e formidável,
Que a si mesma devora os membros e as entranhas
Com a sofreguidão da fome insaciável.

Habita juntamente os vales e as montanhas;
E no mar, que se rasga, à maneira de abismo,
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.

Traz impresso na fronte o obscuro despotismo;
Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,
Parece uma expansão de amor e de egoísmo.

Friamente contempla o desespero e o gozo,
Gosta do colibri, como gosta do verme,
E cinge ao coração o belo e o monstruoso.

Para ela o chacal é, como a rola, inerme;
E caminha na terra impertubável, como
Pelo vasto areal um vasto paquiderme.

Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo
Vem a folha, que lento e lento se desdobra,
Depois a flor, depois o suspirado pomo.

Pois esta criatura está em toda a obra;
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto;
E é nesse destruir que as suas forças se dobram.

Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida,
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a Morte; eu direi que é a Vida.


Machado de Assis

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ah, isso são juras de amor primeiro...

Ah, isso são juras de amor primeiro...
ìntimo, interior, por inteiro.. tudo isso já foi dado, já foi entregue desde o começo.
depois dessa entrega fica a dor de algo perdido, esvaziado de si mesmo quando o amor já não faz sentido. e ele se vai, vai assim e leva o que foi entregue, uma parte de mim.
vão-se os anéis, ficam-se os dedos.
vem outros anéis para os mesmos dedos.
ou ranca-se tudo, anel, dedo, mão...
vai-se o coração, e fica... a falta? um buraco negro.

buracos negros saem por aí engolindo tudo que se aproxima.
quase engolem-se também e somem. acho que é isso.
não se sabe o que exatamente é um buraco negro, onde ele começa, onde ele termina, do quê ele é feito.
deve ser por isso, nesse engolir o que esta perto, nada mais perto deles que eles mesmos. eles engoliram-se a si mesmos.

e depois da entrega, do interior, do íntimo? depois que a pessoa a quem se entregou vai embora, o que ficou? o que entregar?
já foi entregue. LÁ está, indo-se, se perdendo e acenando de vez em quando.
tchau.

"parece que foi ontem que eu fiz aquele chá pra te curar da tosse e do chulé..."


e se voltasse? Ah, se voltasse...
o momento da dúvida cretina que escapa e ainda acha lugar aqui dentro do vazio, que por ser vazio ocupa todo o espaço e fica grande.

"nem com milhares de samba eu faria você voltar pra mim..."

ou, talvez buracos negros não conheçam voltas. ou, se conhecem, delas não deram notícia =|