Era infinitamente maio e Jó Joaquim pegou o amor.
...
Então ao rigor geral os dois se sujeitaram, conforme o clandestino amor em sua forma local, conforme o mundo é mundo.
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Todo abismo é navegável a barquinhos de papel.
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Esperar é reconhecer-se incompleto.
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Dependiam eles de enorme milagre. O inebriado engano.
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Até que - deu-se o desmastreio. O trágico não vem a conta-gotas.
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Diz-se, também, que de leve a ferira, leviano modo.
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Ela - longe - sempre ou ao máximo mais formosa, já sarada e sã. Ele exercitava-se a aguentar-se, nas defeituosas emoções.
Enquanto, ora, as coisas amaduravam. Todo fim é impossível?
...
O tempo é engenhoso.
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Mas.
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Sempre vem imprevisível o abominoso? Ou: os tempos se seguem e parafraseiam-se. Deu-se a entrada dos demônios.
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Triste, pois que tão calado.
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Era o seu amor meditado, a prova de remorsos.
...
Mais.
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A bonança nada tem a ver com a tempestade. Crível? Sábio foi Ulisses,
que começou por se fazer de louco.
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Deseja ... a felicidade - ideia inata.
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Entregou-se a remir, redimir ... à conta inteira. Incrível? É de notar que o ar vem do ar. De sofrer e amar a gente não se desafaz.
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Trouxe à boca-de-cena do mundo, de caso raso, o que fôra tão claro como água suja. Demonstrando-o, amatemático, contrário ao público pensamento e à lógica, desde que Aristóteles a fundou. O que não era tão fácil como refritar almôndegas. Sem malícia, com paciência, sem insistência, principalmente.
...
O ponto está em que o soube, de tal arte: por antipesquisa, acronologia miúda, conversinhas escudadas, remendados testemunhos. ... genial, operava o passado - plástico e contraditório rascunho. Criava nova, transformada realidade, mais alta. Mais certa?
...
Haja o absoluto amar - e qualquer causa se irrefuta.
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Pois, produziu efeito. Surtiu bem. Sumiram-se os pontos das reticências, o tempo secou o assunto. Total o transato desmanchava-se, a anterior evidência e seu nevoeiro. O real e válido, na árvore, é a reta que vai para cima.
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Chegou-lhe lá a notícia, onde se achava, em ignota, defendida, perfeita distância. Soube-se nua e pura. Veio sem culpa.
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Três vezes passa perto da gente a felicidade. ... retomaram-se, e conviveram, convolados, o verdadeiro e melhor de sua útil vida.
Guimarães Rosa
"A aurora em que os abraços se soltam é semelhante a aurora em que morrem os revolucionários sem revolução."
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
terça-feira, 9 de novembro de 2010
é perigoso...
Não se brinca com o sentimento alheio.
Não é digno não importar com o que se diz importante.
Não é digno olhar e pensar sempre em si mesmo, fechar primeiro suas feridas ao custo de afastar o outro que tem as suas abertas.
Não é bom desamparar quem precisa... e não creditar que aquilo que ele sente é realmente sentido e dolorido tanto quanto o que se sente.
Não é respeito achar que se sofre mais e não dar importância ao que sofre o outro.
De todas as coisas só sobrou a calma e eu, só.
De tudo o que foi prometido, disposto e sonhado, restou o eu só.
No fim, ou no meio, ou em qualquer parte, restamos sozinhos, sozinhos, como viemos ao mundo e como morreremos: sozinhos.
Sozinhos estamos desde o início e assim terminamos.
A grande ilusão é estarmos em sociedade, convivermos.
Isso nos dá trabalho e nos entrete, criando a ilusão entre a solidão e a companhia porque inverte a ordem de qual vem primeiro e de qual está presente ao final.
O que a vida me ensinou de mais forte até hoje é que somos seres sós.
É que sempre estou só, sozinha, mesmo com alguém ao lado.
...
Por isso, não me diga não ser assim.
Não me feche por todos os lados, pois você não irá conseguir.
Não se dá conta inteiramente de alguém.
Saiba que você é humano também e, como eu, está só.
Então, não faça promessas que não pode cumprir.
Não ache que a vida é fácil ou dura demais.
Não ache minhas palavras duras e grosseiras.
Elas são simples, talvez seja isso que tanto te dói: simplicidade...
Elas são francas.
...
Não se pode brincar com o sentimento alheio...
é perigoso.
Não é digno não importar com o que se diz importante.
Não é digno olhar e pensar sempre em si mesmo, fechar primeiro suas feridas ao custo de afastar o outro que tem as suas abertas.
Não é bom desamparar quem precisa... e não creditar que aquilo que ele sente é realmente sentido e dolorido tanto quanto o que se sente.
Não é respeito achar que se sofre mais e não dar importância ao que sofre o outro.
De todas as coisas só sobrou a calma e eu, só.
De tudo o que foi prometido, disposto e sonhado, restou o eu só.
No fim, ou no meio, ou em qualquer parte, restamos sozinhos, sozinhos, como viemos ao mundo e como morreremos: sozinhos.
Sozinhos estamos desde o início e assim terminamos.
A grande ilusão é estarmos em sociedade, convivermos.
Isso nos dá trabalho e nos entrete, criando a ilusão entre a solidão e a companhia porque inverte a ordem de qual vem primeiro e de qual está presente ao final.
O que a vida me ensinou de mais forte até hoje é que somos seres sós.
É que sempre estou só, sozinha, mesmo com alguém ao lado.
...
Por isso, não me diga não ser assim.
Não me feche por todos os lados, pois você não irá conseguir.
Não se dá conta inteiramente de alguém.
Saiba que você é humano também e, como eu, está só.
Então, não faça promessas que não pode cumprir.
Não ache que a vida é fácil ou dura demais.
Não ache minhas palavras duras e grosseiras.
Elas são simples, talvez seja isso que tanto te dói: simplicidade...
Elas são francas.
...
Não se pode brincar com o sentimento alheio...
é perigoso.
sábado, 6 de novembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
A Sina
É assim: a muié fica em casa e o homi sai pra tabalhar. Ela faz toda a faxina na casa, ou melhor, todos os afazeres domésticos enquanto ele trabalha lá fora, na rua. Vai chegando 11:00 hrs e ela olha pro relógio um pouco aflita, o almoço ainda vai demorá... 12:00 ele chega pra almoçá. Ele chega cansado, morto de fome e só quer um prato. Ela correndo coloca a comida, está quase tudo pronto, mas mesmo assim ela coloca o feijão com o caldo ainda pra engrossar. Se passar do 12:00 o homi briga, fica com cara ruim, fecha o dia em casa pra muié. "Que que muié fica fazendo tanto que não termina esse almoço na hora que tem de terminar?? Já sabe que chego essas hora, uai!"
Depois vai tirar um cochilo e pô os pé pro ar. Ela ainda vai trabaiá, lava as vasilha do almoço que é pra quando chega tarde da noite em casa, do trabalho de fora, ainda não ter que limpá. Termina o cochilo e as perna pro ar, o homi está pronto pra voltá. Termina as vasilha e de banho pronto, a muié sai junto pra ir também trabalhar. E depois chega ele e ela mais entrando pra noite. Ele sai antes dela, lá pelas cinco da tarde, mas de lá parte pro bar com os colegas pra tomar uma cervejinha esperta. Ela sai sete da noite e os dois chegam juntos em casa, é mais ou menos sete e quarenta ou oito da noite, se o ônibus num atrassar.
De lá, ele senta no sofá e liga alto a tevê. De cá, ela esquenta as coisas pro jantá. Antes das nove, tudo pronto e lá vão os dois se sentá de frente a tevê com o prato na mão: hora do lazer. Depois ele fica de lá, e ela volta pra cá. Motivo: lavá as vasilha do jantá. Depois de cabá, ela dá uma volta pela casa e vê e arruma o que está fora do lugar. Ele ri do cara na televisão.
Ela vai banhá, depois ele vai. Já são mais de dez da noite, está tarde. Depois deitam na cama e por sorte começam um pouco a conversar, ou, por outra começam a fornicar. Logo acaba e os dois vão de verdade se deitar.
Mais um dia.
Depois vai tirar um cochilo e pô os pé pro ar. Ela ainda vai trabaiá, lava as vasilha do almoço que é pra quando chega tarde da noite em casa, do trabalho de fora, ainda não ter que limpá. Termina o cochilo e as perna pro ar, o homi está pronto pra voltá. Termina as vasilha e de banho pronto, a muié sai junto pra ir também trabalhar. E depois chega ele e ela mais entrando pra noite. Ele sai antes dela, lá pelas cinco da tarde, mas de lá parte pro bar com os colegas pra tomar uma cervejinha esperta. Ela sai sete da noite e os dois chegam juntos em casa, é mais ou menos sete e quarenta ou oito da noite, se o ônibus num atrassar.
De lá, ele senta no sofá e liga alto a tevê. De cá, ela esquenta as coisas pro jantá. Antes das nove, tudo pronto e lá vão os dois se sentá de frente a tevê com o prato na mão: hora do lazer. Depois ele fica de lá, e ela volta pra cá. Motivo: lavá as vasilha do jantá. Depois de cabá, ela dá uma volta pela casa e vê e arruma o que está fora do lugar. Ele ri do cara na televisão.
Ela vai banhá, depois ele vai. Já são mais de dez da noite, está tarde. Depois deitam na cama e por sorte começam um pouco a conversar, ou, por outra começam a fornicar. Logo acaba e os dois vão de verdade se deitar.
Mais um dia.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Nosso desejo de voar...
"...o homem, preso por todos os lados à realidade terrena, desej[a] voar."
Dravet.
Existe uma ânsia pelo que é simples e pelo que está além dessa "terrenidade".
Isso pode ser buscado e entendido pelo lado religioso, místico, imaginário, fantasístico.
Ou pode ser percebido como um descontentamento em não estar perto do céu...
Em não poder suspender-se em horas difícieis, ou simplesmente suspender-se para olhar do alto, de outros ângulos.
A suspensão de - se desse e por alguns instantes ao menos - colocar-se além da dor, do desespero, da insegurança, da angústia, da maldade.
Também, a suspensão de ir além nas horas extremas de felicidade, de expandir-se quando a plenitude de uma paixão ou de uma alegria muito forte nos invade e nos faz transbordar, de tentar levar essa felicidade a outros sem deixá-la somente conosco.
E a suspensão do êxtase, de parecer simplesmente elevar-se e ir subindo aos poucos, devagar, tranquilamente...
Céu e nuvens...
Dravet.
Existe uma ânsia pelo que é simples e pelo que está além dessa "terrenidade".
Isso pode ser buscado e entendido pelo lado religioso, místico, imaginário, fantasístico.
Ou pode ser percebido como um descontentamento em não estar perto do céu...
Em não poder suspender-se em horas difícieis, ou simplesmente suspender-se para olhar do alto, de outros ângulos.
A suspensão de - se desse e por alguns instantes ao menos - colocar-se além da dor, do desespero, da insegurança, da angústia, da maldade.
Também, a suspensão de ir além nas horas extremas de felicidade, de expandir-se quando a plenitude de uma paixão ou de uma alegria muito forte nos invade e nos faz transbordar, de tentar levar essa felicidade a outros sem deixá-la somente conosco.
E a suspensão do êxtase, de parecer simplesmente elevar-se e ir subindo aos poucos, devagar, tranquilamente...
Céu e nuvens...
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
instante
deixemos passar o instante.
sussurrando cálido entre suspiros.
não há como tocá-lo,
enquanto ele se esvai.
como areia pura nos dedos,
a prece,
a escolha,
o deleite,
.............. ou lamento,
a memória.
.............. ou esquecimento.
quando se diz:
sossega coração...
que o instante só é,
enquanto passa.
anne
Hoje eu só quero o instante. Esse que chega e vai, e que suspende o tempo.
Ele pára o tempo e o deixa lá, como se fosse transcendente ao que é temporal.
Como se sua própria natureza não fosse formada pelo tempo.
É parar e vê-lo passar...
sussurrando cálido entre suspiros.
não há como tocá-lo,
enquanto ele se esvai.
como areia pura nos dedos,
a prece,
a escolha,
o deleite,
.............. ou lamento,
a memória.
.............. ou esquecimento.
quando se diz:
sossega coração...
que o instante só é,
enquanto passa.
anne
Hoje eu só quero o instante. Esse que chega e vai, e que suspende o tempo.
Ele pára o tempo e o deixa lá, como se fosse transcendente ao que é temporal.
Como se sua própria natureza não fosse formada pelo tempo.
É parar e vê-lo passar...
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
reviravolta
Caí na minha própria armadilha.
Naquilo que eu disse que não queria.
As paredes do castelo foram ruindo aos poucos nem tão poucos assim.
Mas caíram em blocos grandes, uma após a outra, sem simultaneidades.
Pelo tamanho das pedras que rolavam, os buracos deixados eram enormes e me assustavam, me deixavam confusa.
E apesar de não ser simultâneo o processo, uma caía logo após a outra. E assim íam rolando, desabando...
Me desmoronando.
Eu não queria, e você sabe que eu não queria.
Mas, nesses casos não se tem muita escolha...
De repente as coisas acontecem e a gente nem imaginava...rs.
Trem.
Caí na minha própria armadilha.
Naquilo que eu nem acreditava e nunca acreditei.
São seus planos que, quando vejo, dormi e sonhei com eles também.
Me apaixonei.
Me apaixonei.
Naquilo que eu disse que não queria.
As paredes do castelo foram ruindo aos poucos nem tão poucos assim.
Mas caíram em blocos grandes, uma após a outra, sem simultaneidades.
Pelo tamanho das pedras que rolavam, os buracos deixados eram enormes e me assustavam, me deixavam confusa.
E apesar de não ser simultâneo o processo, uma caía logo após a outra. E assim íam rolando, desabando...
Me desmoronando.
Eu não queria, e você sabe que eu não queria.
Mas, nesses casos não se tem muita escolha...
De repente as coisas acontecem e a gente nem imaginava...rs.
Trem.
Caí na minha própria armadilha.
Naquilo que eu nem acreditava e nunca acreditei.
São seus planos que, quando vejo, dormi e sonhei com eles também.
Me apaixonei.
Me apaixonei.
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